Pedro Leopoldo: um modelo de inclusão que transforma vidas

Colaboradores da unidade Pedro Leopoldo

Pedro Leopoldo: um modelo de inclusão que transforma vidas

Desde 2010, a Orguel desenvolve, em Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma iniciativa que promove a inclusão, autonomia e valorização de pessoas com deficiência intelectual e múltipla.

Em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), o projeto oferece oportunidades profissionais para 23 pessoas com deficiência, que trabalham com carteira assinada em um ambiente preparado para respeitar as necessidades e potencialidades de cada colaborador.

Mais do que uma iniciativa de inclusão profissional, ele se tornou um verdadeiro modelo de inclusão, mostrando como as empresas podem criar oportunidades reais de trabalho, desenvolvimento e participação social.

Como funciona o modelo de inclusão em Pedro Leopoldo

A iniciativa funciona em uma unidade exclusiva da Orguel, localizada em Pedro Leopoldo. Os materiais e componentes produzidos no local são utilizados no processo fabril da Mecan, em Vespasiano, integrando o trabalho realizado pelos colaboradores à cadeia produtiva das empresas.

Durante uma jornada de meio período, os profissionais realizam atividades adaptadas às suas habilidades e capacidades. Entre as tarefas estão:

  • Recorte e reaproveitamento de uniformes antigos, transformados em flanelas;
  • Rosqueamento de porcas e parafusos;
  • Limpeza de equipamentos que retornam das obras;
  • Outras atividades produtivas adaptadas às necessidades de cada colaborador.

Além das atividades profissionais, os colaboradores têm acesso aos mesmos direitos garantidos aos demais funcionários, como salário, vale-transporte, alimentação e assistência médica.

Trabalho, autonomia e valorização profissional em Pedro Leopoldo

A ação representa muito mais do que a criação de postos de trabalho. A iniciativa contribui para ampliar a autonomia, fortalecer a autoestima e promover o reconhecimento das pessoas com deficiência como profissionais capazes de exercer diferentes funções e contribuir ativamente para a sociedade.

Segundo o CEO da Orguel, Sérgio Guerra, os resultados podem ser percebidos na transformação vivenciada pelos colaboradores e suas famílias.

“É uma iniciativa que transforma vidas. Podemos perceber a autoestima deles crescer a cada dia, o brilho no olhar ao chegarem para o trabalho, o orgulho em participar do dia a dia da empresa e o envolvimento das famílias, que se sentem representadas e acolhidas.”

Para ele,isso reforça uma visão de inclusão baseada no reconhecimento das capacidades individuais.

“Não é apenas sobre inclusão. É sobre enxergar o potencial de cada pessoa, independentemente da sua condição, e construir uma empresa mais justa, humana e diversa.”

Atividades adaptadas às capacidades de cada colaborador

Um dos pilares do projeto desenvolvido em Pedro Leopoldo é a adaptação das atividades às habilidades de cada profissional.

Tatiana Martins Teixeira, assistente social responsável pelo acompanhamento dos colaboradores com deficiência, explica que as tarefas são organizadas considerando as capacidades individuais de cada pessoa.

O resultado é uma operação produtiva e eficiente. Em apenas dois dias, por exemplo, os colaboradores podem chegar à produção de até 6 mil parafusos.

“Ficamos muito felizes em ver que há esse olhar. De pensar na pessoa com deficiência como parte da sociedade. Eles estão aqui porque são valorizados, têm direitos e são reconhecidos como colaboradores como qualquer outro”, destaca Tatiana.

Essa abordagem é uma das características que tornam o programa um importante modelo de inclusão, demonstrando que adaptar processos e oferecer suporte adequado pode gerar resultados positivos tanto para os profissionais quanto para a organização.

Pedro Leopoldo e a construção de novas oportunidades

O trabalho também tem um impacto direto na rotina e na vida social dos participantes.

Para muitos colaboradores, a atividade profissional representa uma das principais oportunidades de convivência fora de casa. O ambiente de trabalho permite estabelecer relações, trocar experiências, desenvolver responsabilidades e exercer a cidadania de maneira mais ampla.

A rotina profissional também contribui para o desenvolvimento de habilidades importantes, como pontualidade, organização, responsabilidade e trabalho em equipe.

“É muito gratificante acompanhar a evolução de cada um. Eles entendem que têm um papel aqui, chegam no horário, usam o uniforme com orgulho e se dedicam ao máximo. Mostram, todos os dias, que podem ser o que quiserem”, afirma Tatiana.

Nesse sentido, isso mostra que a inclusão profissional pode gerar impactos que vão muito além do ambiente corporativo.

Um modelo de inclusão que conecta diferentes unidades

Periodicamente, são realizadas visitas e trocas de experiências entre os colaboradores de Pedro Leopoldo e profissionais de outras localidades. Essas ações ajudam a fortalecer os vínculos entre as equipes e ampliam o sentimento de pertencimento.

A integração também permite que outros colaboradores conheçam de perto o trabalho desenvolvido na unidade e compreendam melhor a importância da inclusão no ambiente corporativo.

Foi o que aconteceu com Vitória Luísa Costa da Silva, auxiliar administrativa da unidade CSC, que visitou a unidade.

“Eu não imaginei que seria desse jeito. Achei o trabalho deles incrível, não esperava tanto. Estou impressionada e tive que segurar para não chorar. É uma linda lição de vida”, conta.

A experiência reforça como o contato direto e a convivência são importantes para ampliar a compreensão sobre a inclusão e valorizar as diferentes formas de contribuição dentro de uma organização.

A importância da inclusão profissional

A experiência da Orguel em Pedro Leopoldo mostra que a inclusão profissional precisa ser construída com oportunidades concretas, respeito e adaptação.

Quando pessoas com deficiência encontram um ambiente preparado para reconhecer suas habilidades, elas podem desenvolver novas competências, conquistar mais autonomia e participar ativamente da vida profissional e social.

Ao mesmo tempo, a organização também se transforma. A convivência entre diferentes pessoas e experiências contribui para a construção de uma cultura mais diversa, humana e colaborativa.

A iniciativa demonstra, na prática, que a inclusão não se resume à contratação: envolve acolhimento, desenvolvimento, reconhecimento, direitos e pertencimento.

Orguel: construindo um futuro mais inclusivo

O projeto mostra que cada pessoa possui habilidades, potencialidades e contribuições únicas. Quando essas capacidades são reconhecidas e encontram espaço para se desenvolver, os resultados ultrapassam os limites da empresa.

A história construída em Pedro Leopoldo representa uma transformação compartilhada por colaboradores, famílias, profissionais e toda a comunidade envolvida.

Mais do que oferecer uma oportunidade de trabalho, a iniciativa ajuda a construir novos caminhos, fortalecer a autonomia e ampliar a participação social.

Esse é o propósito de um verdadeiro modelo de inclusão: criar oportunidades reais para que mais pessoas possam desenvolver seus talentos, exercer seus direitos e construir sua própria trajetória.

Na Orguel, transformar vidas também faz parte da nossa história.

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